Joanesburgo, 14 de Janeiro de 2009
Mais de 300 crianças foram mortas e mais de 1 500 ficaram feridas, desde o início da crise em Gaza no dia 27 de Dezembro de 2008 até ontem. A cada dia que passa mais crianças são atingidas, os seus pequenos corpos feridos, as suas jovens vidas despedaçadas. Estes não são apenas números. Falam de vidas de crianças interrompidas. Nenhum ser humano pode assistir a esta situação sem ficar impressionado. Nenhum pai ou mãe pode testemunhá-la sem imaginar logo os seus próprios filhos.
Trata-se de uma situação trágica, que é inaceitável. O Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-Moon encontra-se actualmente no Médio Oriente para apelar ao cumprimento urgente da Resolução 1860 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que apela a um cessar-fogo imediato, duradouro e plenamente respeitado e à prestação e distribuição de ajuda humanitária em todo o território de Gaza sem obstruções.
O acesso humanitário a todos, especialmente aos mais vulneráveis, deve ser desimpedido.
A Resolução realça também que as populações civis devem ser protegidas por ambas as partes, em conformidade com os princípios internacionais.
As escolas e as instalações de saúde devem ser protegidas e consideradas zonas de paz, em quaisquer
circunstâncias.
A crise em Gaza é singular na medida em que as crianças e as suas famílias não têm para onde escapar,
nem onde refugiar-se. Por si só, a ideia de estar encurralado numa área fechada é perturbadora para os
adultos em tempo de paz. O que passará pela cabeça de uma criança que está encurralada numa situação de tamanha violência?
As crianças constituem a maior parte da população de Gaza. Elas estão a suportar o fardo mais pesado de
um conflito que não é o seu. À medida que os combates atingem o coração de áreas urbanas mais populosas, o impacte das armas mortíferas junto das crianças tornar-se-á ainda mais pesado. Deve ser dada prioridade absoluta à sua protecção.
Com os seus parceiros, a UNICEF está a fazer tudo o que pode para lhes prestar assistência, apesar das
dificuldades nas actuais condições. Foram disponibilizados novos recursos a fim de ir ao encontro das
necessidades mais urgentes das crianças e suas famílias: água, kits de reanimação e kits educativos, entre
outros artigos de ajuda humanitária.
Porém, para além das necessidades imediatas das crianças que perderam as suas casas, não têm acesso a
água potável, electricidade e medicamentos, para além das terríveis cicatrizes físicas e ferimentos, estão os
ferimentos psicológicos, mais profundos, destas crianças. A sua recuperação psicológica e social será longa
e difícil.
Só com a cessação das hostilidades é que as crianças poderão encetar a longa jornada de regresso ao seu
mais fundamental direito, o direito a viver sem violência física e mental.
A UNICEF apela a todas as partes em conflito para que tomem todas as medidas para proteger as crianças
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